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    Mostrando postagens com marcador literatura latino-americana. Mostrar todas as postagens

    A Contadora de Filmes, Hernán Rivera Letelier


    Confesso que conheço pouco, muito pouco da literatura latino-americana. Um dia, vendo um dos vídeos de um blog literário no You Tube, ouvi falar do livro e fiquei apaixonada pela história e pelo fato de ser um livro da Cosac Naify, que é uma editora que adoro!  Os livros publicados por ela tem uma diagramação linda, uma excelente qualidade gráfica e geralmente uma excelente leitura! Além do fato da Editora dar um desconto de 40% para nós, professores! Enfim, não demorou muito e eu comprei o livro.  Demorei um pouco para começar a leitura, mas quando comecei...em uma única tarde devorei-o e fiquei suspirando no sofá, pensando o motivo de ter ficado tanto tempo sem conhecer o Hernán Rivera Letelier.

    Mas vamos à história: Pelas páginas de “A Contadora de Filmes” temos a oportunidade de conhecer a encantadora Maria Margarita, caçula de cinco irmãos e que mora num vilarejo de mineiros no deserto chileno ao lado de uma indústria de salitre.  A solidão do lugar reduz as possibilidades de trabalho e diversão e a pequena sala de cinema que lá existe é o único lugar onde esperança e sonhos se materializam numa tela. Maria faz parte de uma família que é apaixonada por cinema. Seu pai,  deficiente por conta de um acidente de trabalho, conhece os artistas, filmes e é encantado pelo mundo cinematográfico. Com pouco dinheiro e sem condições para levar todos ao cinema, Maria é escolhida pelo pai para ser a contadora de filmes. Para Maria o cinema abre-lhe as portas de um mundo bem diferente da sua realidade. Onde existe magia, sonho e possibilidade de ir além da aridez à sua volta.

    O livro é de uma delicadeza inenarrável. Pelas páginas dele temos contato com a tristeza e solidão de Maria e a sua proeza em levar sonho e alegria através de suas narrativas.  Seus relatos são tão criativos e cheios de vida que logo se tornam uma atração no povoado. Letelier nos mostra o quanto é intrínseco ao homem a necessidade de sonhar, a possibilidade da imaginação.  Maria, solicitada por doentes e desvalidos, por pobres e mendigos, vai enchendo a vida dessas pessoas com sonhos que elas, por diversos motivos, não podem consumir diretamente. Letelier nos fala da solidão e de como sonhos que se compartilham podem ajudar ao homem a enfrentar a realidade ácida e dura a que ele é exposto todos os dias. O livro virará filme em breve e terá a direção de Walter Salles. Mais que recomendo!